Adriane Oliveira – Brasília, Cidade Esperança


SOBRE O PRODUTO: 

Dizem que “Brasiliense” é o nome que se dá a quem nasceu em Brasília, e que “Candango” serve para se referir aos trabalhadores, em sua grande maioria provenientes da Região Nordeste do Brasil, que migraram à futura capital para trabalhar na construção da cidade esperança. Acontece que candango é somente mais um termo genérico direcionado a um grupo de pessoas com histórias marcantes, o trabalhador que está sempre nos bastidores, integrado à paisagem de um suposto progresso. Anteriormente ao progresso, o que seria a atual capital foi ocupada por kayapós, xavante, xakriabás que por fim terminaram destituídos de suas terras. Ironicamente, no ambicioso plano de mudança da capital do país era necessário que mão-de-obra fosse enviada até lá. Mas a quem pertenciam essas mãos em diáspora? Quais eram seus nomes e suas histórias? Dentre essas mãos, haviam mãos indígenas. Mais uma vez destituídas de seus territórios, mandadas de um lado para outro, fugidas da fome, das perseguições, tentando uma integralização a esse progresso, com o coração esperançoso de que a vida melhoraria e que enfim haveria equidade vivendo na cidade prometida. Mãos que se agarravam às esperanças e à enxada, mas desgarravam de suas origens e família, que muitas vezes ficavam para trás porque a capital não tinha lugar para pobre. Jogados às margens do centro, as mãos edificam casas, plantam suas sementes e criam descendentes, não mais candangos e nem indígenas, mas brasilienses. Estes trocam o pau-de-arara pelo transporte público lotado, ainda que o medo e as incertezas continuem os mesmos. Entregam suas vidas e sonhos ao centro do país, deslocam-se, pois Brasília ainda é a cidade esperança e ainda deseja equidade.

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