Guilherme Azevêdo – A Força do Povo

Olha que louco a força do meu povo,

Mesmo com tanto sufoco,

Acredita em um mundo novo, é…

Acordei cedo pra ver o sol nascer,

A Esperança reviver,

Em um novo amanhecer.

E vi…

Rostos negros – pardos,

Rugas, expressões de cansaço.

Sorrisos esboçados,

dentro do ônibus lotado:

Vi um garoto que pedia um trocado.

“- Será que é pra mãe,

ou é só um viciado?”

“- Às vezes nem tem mãe,

olha o futuro abandonado!”

É um cenário comum,

não sai da monotonia,

É um roteiro comum,

na cena urbana de Brasília!

Pelos quatro cantos,

vejo seres desumanos,

Na guerra de egos,

maldade esmaga grandes sonhos,

Gente é um bicho tão estranho,

Observo e acompanho,

A humanidade se matando,

Porém, eu continuo sonhando.

E vou continuar sonhando.

Quero meu povo feliz,

Quero voltar a raiz,

Liberdade, igualdade,

Justiça, união, é o que eu sempre quis…

Não vou parar de cantar,

Enquanto eu respirar,

Vou fazer o que for, vou mostrar meu valor

Eu não paro de sonhar.

Arsenal do Gueto Produções

CNPJ: 28.860.828/0001•39

Contato: (61) 9 8167-8346

E-Mail: arsenal.gueto@gmail.com

Eu só quero saber o porquê,

É mais fácil acreditar na TV,

Do que se conscientizar

com o que tá perto de você?

O que é preciso para o mundo se transformar?

De onde vem essa vontade de mudar?

Peço poder para o povo e o povo?

Tá tão cansado de lutar!

Toda jornada de trabalho,

Mínimo é o salário,

A opressão do estado

Sufoca o espírito revolucionário.

Vontade de mudanças,

De construir melhorias,

Mas o guerreiro se cansa

De barriga vazia.

Vai perdendo a esperança,

Conforme passam os dias.

Sonhos de criança viram lembranças na vida

Ironias…

Quantas ironias.

Acredito,

que não estava escrito em nenhum livro,

Que meu povo, seria tão sofrido,

Holocausto, genocídio,

Tratados feito bicho,

Persistimos pacíficos,

Pra guardar lugar no céu

Tem que apreciar o gosto do fel?

Não sou otário e nem preciso ser réu,

Já nasci subjugado e me armei,

Com discos, caneta e papel.

E sigo em frente,

Na linha de frente,

Por toda a minha gente,

Onde as crianças já não são tão inocentes,

O futuro já não é tão reluzente,

Ativismo consciente!

Cansei do mínimo!

Quero o melhor pra minha gente!


SOBRE O PRODUTO:

Nascida da Literatura Marginal, a poesia direta e contundente de Guilherme visa conscientizar e trazer reflexões sobre o cotidiano da cidade permeada por desigualdades. Uma poesia escrita dentro de um ônibus que faz a linha 343, que vai de Ceilândia ao Plano Piloto, revela em suas linhas a trajetória de um povo que, mesmo diante de todas as dificuldades, acorda com a esperança de cada dia construir um mundo mais justo e menos desigual. As palavras se juntam para gritar aos ouvidos de quem queira ouvir a urgência de mudar as estruturas da cidade para acolher a todes que trabalham para manter os pilares da mesma de pé. Guilherme é cria de Ceilândia e sempre atuou ocupando espaços públicos por vezes marginalizados, fazendo a ressignificação desses espaços para a comunidade, e sua poesia é fruto dessa cidade. É também ferramenta pra essa ressignificação, mostrando que sonhar é sim possível e é o primeiro passo para a construção de um novo amanhã!

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