Kessia Daline – Brasília Desigual

Brasília capital,

Beleza sem igual, no seu quintal.

Lindo Cerrado, porém tão desigual…

Todo ano floresce Ipês: rosa, branco e amarelo,

Gente vinda de toda parte, até formam um elo.

Vieram para uma vida melhor encontrar 

E aqui poder dizer lar doce lar…

Mas será? 

No meio disso tudo, se esquecem que aqui também,

Já foi habitado por alguém.

 Alguéns

Antes de se imaginar capital, já era habitado por nativos originários,

Sim, muitos povos indígenas que por aqui passavam e habitavam…

Estamos aqui há milênios, é claro!

Tanto se passou, mas o cenário ainda não mudou

Corpos retirantes saem de outras áreas do país

A procura de paz…

São mais de dez mil pessoas indígenas habitando em BSB

Muita gente né! 

Mas a invisibilidade não permite perceber…

Desigualdade que assola

Nas periferias, nas reservas, desespero vem sem demora,

 Isso tudo ainda se passa perto da capital?

Como podem achar isso normal na real !?

Sem políticas públicas específicas, as coisas complicam

Há evasão escolar de criança,

Falta infraestrutura, água encanada, esgoto e até parada de ônibus.

Desemprego, dificuldades nos atendimentos de saúde…

Será que podemos perguntar: Cadê a esperança?

Sem falar da violência, preconceito e discriminação,

Que nos leva à extrema exclusão. 

Sem direito a lazer, cultura e esporte

Porque isso só é fomentado no plano piloto?

Para muitos somos o desgosto

Mas quer saber, se não fosse a resistência indígena a anos

Os ipês todo ano não iam aparecer

O Cerrado já iria esmorecer…

A Brasília que nós queremos é a que reconhece a pluralidade,

Que respeita as diferenças culturais e étnicas,

 Mas principalmente a diversidade,

Seja ela Kamayura, Tupinambá, Wapichana, Munduruku, Krahô ou Pataxó 

Então nos faça um favor BSB

Olhe para nós!

Ajude-nos a viver melhor.

Sem esse nó na garganta, sem dó

Nos reconheça para além de plumárias e pinturas,

Dos cabelos lisos, olhos puxados e pele retinta,

Somos mais do que as histórias mal contadas nos pintam…

Somos os primeiros habitantes do Brasil,

Os filhos da mãe indígena que nos pariu,

Acolha-nos para um futuro melhor,

Pois DF é terra indígena e só com humildade e união,

Podemos nos reconhecer e caminhar juntes para salvar nosso chão.


SOBRE O PRODUTO:

O poema apresenta, de forma lúdica e descontraída, uma reflexão sobre as desigualdades presentes fora do Plano Piloto. Ele leva o leitor(a) a pensar nos diferentes povos, culturas e etnias que residem em Brasília, porém são invisibilizados e lidam com suas histórias não sendo contadas ou vistas de fato… Foi trazendo as problemáticas e as questões sociais que se manifestam nas desigualdades sociais, que a autora encontrou uma maneira de falar sobre a vivência dos povos indígenas que habitam nas periferias e reservas no DF. Através desta poesia, apresentam-se denúncias dos descasos que essa parcela da população sofre e não quer mais sofrer nesses futuros, por falta do mínimo, das políticas públicas que olhem para eles. O produto usa a arte como instrumento de luta, a fim de ver essa transformação, que se dará a passos lentos, mas a partir desta auto reflexão, já está em curso.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Para comentar, você aceita os termos a seguir:
Aceito e concordo com o tratamento de meus dados pessoais para finalidade específica, em conformidade com a Lei nº 13.709 – Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).Ao manifestar sua aceitação, o Titular consente e concorda que a ASSOCIAÇÃO TRAÇOS DE COMUNICAÇÃO E CULTURA, inscrita no CNPJ: 08.117.759/0001-60, com sede na SCLN 208 BLOCO D ENT. 49 SALA 211, ASA NORTE, BRASÍLIA, DF, CEP 70853-540 , doravante denominada Controladora, tome decisões referentes ao tratamento de seus dados pessoais, bem como realize o tratamento de tais dados, envolvendo operações como as que se referem a coleta, produção,recepção, classificação, utilização, acesso, reprodução, transmissão,distribuição, processamento, arquivamento, armazenamento, eliminação, avaliação ou controle da informação, modificação, comunicação, transferência, difusão ou extração.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.