Keyane Dias – Outros Planos

Outros planos

Por Keyane Dias

Poesia versada em “carretilha”, 

métrica da poesia popular brasileira 

utilizada por emboladores e coquistas.

Planos pilotos

Nunca são suficientes

Pra tantos sonhos nascentes

Que querem ter seu lugar

Fora das asas

Ou dentro do “avião”

A capital da invenção

Já nasceu a transbordar

São muitas vozes

Caminhos e ascendências

O Brasil em afluência

Aqui veio a se encontrar

Resiliência

Recriando novos planos

Pois aos longo desses anos

É preciso transformar

Nossa labuta

Quer botar nessa cidade

O progresso da equidade

Novos sonhos recriar

Já foi Dom Bosco

Mas agora somos nós

Coletivizando a voz

Iremos continuar

Transporte público

Atravessando o quadrado

Fluindo pra todo lado

Pra gente poder chegar

Aonde queira

De Planaltina à Ceilândia

De São Sebas a Brazlândia

Do Gama ao Paranoá

Como opção

Ciclovias vão unir

O direito de ir e vir

E das ruas ocupar

Todas as praças

Do centro à periferia

Seja noite ou seja dia

Serão palcos pra rimar

E acolherão

Com acessibilidade

O que são de mais idade

E os que seguem a superar

O preconceito

Sobre as deficiências

Mas com leis e consciência

Lhes daremos bem-estar

Educação

Escola Parque espalhada

Em tudo quanto é quebrada

Revolução escolar

Comida boa

E hortas comunitárias

Serão temas de plenárias

Pois muito se irá plantar

E o que plantarmos

Será bem distribuído

Recursos serão geridos

Em comitê popular

E na saúde

Todos terão assistência

Autocuidado e ciência

No postinho vão estar

Não faltarão

Empregos pra nossa gente

Do Varjão ao Sol Nascente

No Riacho e em Taguá

Todas as artes

Ofícios, cooperativas

Associações ativas

Nós vamos valorizar

Nossa cultura

Não será alvo de ataque

Já firmamos um sotaque

E ele quer comunicar

Salve Martinha

Teodoro e Seu Zé

Nossas feiras, nossa fé

E os batuques a vibrar

Elegeremos

Nomes de pertencimento

Para dar prosseguimento

À luta que é popular

Ocuparemos

Mais a universidade

Com toda diversidade

Para nos representar

E o Cerrado

Que ainda é nativo

Seguirá de pé e vivo

Pois este é nosso lar

Preservação

E o reflorestamento

Serão atravessamento

Aos que teimam especular

Salve Brasília

“Cidade da esperança”

E a sua mística que alcança

Paralelos além mar

Sua legião

Seja urbana ou rural

É o Distrito Federal

Nosso plano secular. 


SOBRE O PRODUTO:

O produto busca expor, através da linguagem acessível da poesia popular, possibilidades de organização social e de políticas públicas democráticas e participativas. Ao meu ver, não haverá equidade estabelecida sem a participação e a integração entre o povo e os gestores públicos, seja nas esferas governamentais ou sociais, ocupando as ruas e se organizando. A proposta traz também um olhar descentralizador sobre Brasília, saindo do marco zero do Plano Piloto para os novos planos e territórios que seguem a ser traçados, todo dia, através sonhos que materializamos e coletivizamos por todo o Distrito Federal.

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