Luazi Luango – Do que me veste!!!

“DO QUE ME VESTE!!!!!!!” ROTEIRO/PLANO DE FILMAGEM 

Proposta para submissão de Roteiro concluido para produção de Curta metragem (de acordo com o item 2.7 do edital #BSB2060) 

Linguagem Audiovisual utilizada no Curta/Mini doc

O projeto REUNINDO MEUS RETALHOS é um produto de Audiovisual em forma de Mini Documentário que traz em sua narrativa a visão do Artista Luazi Luango sobre  A CONSTRUÇÃO DE BRASÍLIA A PARTIR DE IDENTIDADES DIASPÓRICAS. Território fertil, o artista costura a história da cidade remontando seu quebra cabeça de retalhos. Em primeira pessoa, ele traz a sua trajetória enquanto homem de terreiro, potencializador de identidades através da produção de estéticas indumentárias. Revisita lugares longínquos para exaltar o arcabouço civilizatório e cultural, preservado nas comunidades tradicionais. Se Brasília precisa de uma identidade única, a sua identidade potencial é ser celeiro farto de identidades. 

JUSTIFICATIVA

Pretende-se aqui, à partir de saberes e fazeres acumalos por Luazi Luango, circunscrever mudanças no sentido de projetar uma #BSB2060 pluricultural e multiétnica e contribuir para implementações de políticas públicas que incluam, potencializam e emancipem essas culturas civilizatórias majoritariamente excluídas, com o olhar voltado para as comunidades tradicionais de terreiro e o legado cultural preservado por esse povos em diáspora. 

METODOLOGIA DE ABORDAGEM

É produto de Audiovisual, de 20 minutos, formato mp4 full hd, gerado através de captação de imagens e som, e colagens de imagens de arquivo e interação, com um Luazi Luango como narrador. O intuito é oferecer um mini documentário, conduzido pelo artista, aqui na função de contador de histórias, a narrativa do percurso de um tecido secular, a Capulana, originário da cultura de Moçambique, que contemporaneamente está inserido nas produções estéticas identitárias das comunidades tradicionais no território candango. Revela a origem do tecido, como foi desenvolvida sua tecnologia em solo africano, e de que maneira se ressignifica pós tráfico para solos Pindorâmicos. Suas reflexões se dedicam em buscar na ancestralidade metodologias para projetar uma #BSB2060 que acolham com dignidade essas possibilidades de expressões artísticas e culturais.

SINOPSE

A contação de história de como um tecido pode representar a identidade e a história de povos e de como se ressignificam em tempo e espaço. 

ROTEIRO

A vida toda eu busco caminhos

A vida toda eu busco caminhos, eu busco possibilidades

E as encruzilhadas são quem me acolhem

Eu venho a mando do TEMPO

minha natureza ela faz barulho,

Se eu condenso, eu esbravejo

Eu trovejo 

Eu Sou Luazi Luango

Sou homem pardo, cis, gay

Carioca que o céu do Cerrado acolheu há 20 anos!

EU Sou homem de terreiro

Muzenza na Nzo Jimona Dia Nzambi, comunidade tradicional no entorno de Brasília.

Somos Descendentes do Tuumba Juçara, Terreiro Centenário de Angola Muxicongo em Salvador, BA.

Eu já te disse que essas encruzilhadas me acolhem?

MPAMBO NJILA, KAPUKAJIRA, ALUVAIÁ, VANJIRA 

O cruzo, a encruzilhada, o encontro das possibilidades.

E são Elas me construíram um homem multiartista, terapeuta, produtor de moda, figurinista, empreendedor e potencializador de identidades.

Mas a minha história não começa comigo

Eu, que sou amigo de muitos caminhos e saúdo a todas as Existências que fizeram esses percursos antes de mim.

 Se “Pra quem sempre olha pra trás

Nenhuma rua é sem saída”

Já rimava O Pensador que também veio antes de mim

E hoje eu peço licença para revisitar o meu baú de retalhos

Eu peço a benção as minhas ancestrais, que com tecidos pariram identidades e construíram mantos que sustentam nossa História.

E vim contar a história de um tecido que narra a Existência e a Trajetória de Povos

Eu vim falar das Capulanas, 

Que atravessou o Índico e Atlântico e se ressignificou em solo Pindorâmico, através das comunidades tradicionais de Terreiro, um arcabouço de manutenção civilizatória e negra em diáspora…

Brasília é solo fértil para diversidade… 

Clareira Cerrado adentro, caminhos feitos e refeitos por paraibanas, mineiras, recifenses, goianas, cearenses, cariocas, maranhenses, Brasileiras…

E majoritariamente, existências negras:

O perfil étnico racial de Brasília e do DF aponta que 57,6% da população é NEGRA, dados da CODEPLAN/2019. 

E aonde está esse legado, essa cultura que se ressignificou em solos longínquos?

No DF e entorno estima-se a existência de mais de 400 comunidades tradicionais de terreiro: são tentas de Umbanda, casas de feiticeiras, curandeiras, erveiras e roças de candomblé, rodas de terecô, Jurema tombada e muitas história contada por essa ancestralidade que é viva e contemporânea.

Água na rua, me dê mbanda Njila, ago e licença que eu vim pra Zuelar!!!

Eu vim contar os caminhos percorridos por este tecido

O TUKUÉ, como assim era conhecido ao chegar na costa de Moçambique por meio de transações comerciais com povos do Oriente e Árabes cuja moeda era o ouro. Eram adquiridos por Lideranças Tradicionais, assumindo símbolos de poder. Embora esse tecido fosse de baixa qualidade e escassa variação de cores, logo os Moçambicanos desenvolveram técnicas de tingimento e extração de fibras naturais para confeccionar identidades estéticas próprias. 

Nakoto, 

Chivenhula,

Xigadula

Para além de tecidos, são narrativas históricas de construção identitária através do vestir-se, através da arte indumentária!

Inicialmente eram feitos da parte mais rígida de troncos de árvores, misturados com óleos naturais para dar mais leveza e maciez, tornar o vestir mais agradável.

A criatividade Moçambicana foi enriquecendo as formas e os tingimentos com cores e estampas variadas: geometrias, desenhos abstratos, elementos da natureza, tudo o que pudesse falar, em símbolos, a vida desse povo. Sim, minha gente, as Capulanas narram as histórias de nossos ancestrais. 

Capulana é arcabouço vivo de lutas políticas até em outros povos vizinhos. Em Angola, por exemplo, a estamparia Samakaka representa a luta desse povo por conquista de espaço desde tempos longínquos. A cor vermelha fala do sangue derramado por nossos guerreiros ancestrais; o preto, significa o luto; o amarelo já denota a esperança e a positividade e por fim, o branco, que nos convoca a paz.

Capulana é documento vivo dos povos em diáspora!

Mas eu quero te dizer que foram e são as mulheres quem transmitem esses legados!

O costume de usar as Capulanas como ornamentos de importância simbólica e ritual aos acontecimentos da vida advém das Mulheres. 

Eram e são usados em cerimonias de iniciação, olha a resistência em ação

Nossas mães são quem nos ensina essa lição!

Com renda branca simboliza transição de fase de vida, a menina Vira mulher adulta, cheia de vida para gerar vida!

Mas como esse tecido faz a travessia em diáspora para terras brasileiras e chega solo dando mesmo?

Era tanto cativeiro, trabalho cargueiro, quase saiu da memória! 

Mas ancestral é bravo e não deixou passar essa, não! Deu um jeito de conservar a memória das Capulanas!

Assim como em Angola e no Moçambique, aqui no Brasil as Capulanas fazem parte de um processo de construção social, identitário e imagético.

Mas essa preciosa arte não pôde aportar em solos Pindorâmicos vista tamanha desumanidade que é o tráfico de pessoas. Este tecido ficou na memória mas não na bagagem. Foi rememorado através das Chitas Indianas que eram pouco valorizadas na terra colonializada. A Chita não substitui a construção tecnológica ancestral empregada nas Capulanas Africanas, mas foram através delas que as minhas ancestrais se reconheceram enquanto estéticas por cores, formas, texturas, caimentos… E agregaram o uso deste tecido em seu cotidiano no solo estrangeiro.

Estamos em constante processo de ligação à ancestralidade, busca por reforço de identificação, resgatando nossos referenciais; isso tudo torna possível devolver parte da liberdade, outrora tirada dos nossos antepassados. Aqui no Brasil, a Capulana é a representação personificada de Áfricas.

Nós, povos de candomblé Angola Muxicongo, que descendemos dos grupos étnicos bantos Sub-Saarianos, preservamos esse legado no uso cotidiano das vestimentas em nossos terreiros no tocante ao reconhecimento hierárquico, o uso fica direcionado aos mais velhos, como reconhecimento dos seus percursos. quanto mais adornos, enfeites e cores, maior e mais longo foi caminho percorrido por aquela existência. 

Para os nossos povos, este é o conceito de honraria, senhorio, poderio e a ele são dados códigos simbólicos recheados de identidades. 

As capulanas africanas chegaram ao Brasil muito tempo depois por uma embaixatriz em 2010. Até então elas viam informalmente nas bagagens dos turistas. Foi a partir dessa embaixatriz que conseguimos comercializar legalmente as Capulanas aqui no Brasil. Dai, passamos a reconhecer como Ancaras, pois se refere a qualidade das estamparias e enceramento desses tecidos que chegam aqui. 

No Brasil as Capulanas foram ressignificadas, reinventadas, foram abrasileiradas pela cultura negra local, as Capulanas contam histórias… 

Percebem que a história se atualiza em tempo, formas, cores, texturas, aromas, relações, signos? Assim como Exu me ensinou, eu sou Okotò, eu sou aspiralado, eu sou circular, eu sou movimento. Eu estou buscando no ontem a identidade de moda que eu quero que Brasília colha no amanhã! Uma moda que, assim como seu solo, tem potencial de fertilidade para a diversidade… 

Plano de Filmagem 

CENA 01 Locação: Externa – Dia – Encruzilhada
Iluminação: natural
Plano Começa em PM passando para PG
A cena inicia com Luazi que vem andando em rumo à encruzilhada com foco nos pés A vida toda eu busco caminhos, O Plano Médio se abre para o Plano Geral já parado em uma encruzilhada.  A câmera vem acompanhando  o início do PM abrindo para PG no decorrer do percurso até a parada na encruzilhada, o movimento debaixo para cima da câmera dando close na face do Luazi na parte da fala “eu busco possibilidadesE as encruzilhadas são quem me acolhem, toda a cena se com o mesmo cenário e figurino, com variações de planos. Predominando Plano Inteiro com aplicação de Câmera Subjetiva encerra-se a primeira cena em “Eu trovejo”
Diálogo do Narrador
CENA 02
Locação: Externa – Dia – encruzilhada
Iluminação: natural
Plano: Plano Americano / Primeiro PlanoA cena inicia com “Eu sou Luazi Luango…” ainda na  encruzilhada  em PA após relato de sua história encerra-se em “…Salvador Bahia” ainda em em PA. Mudança de plano para Primeiro Plano com aplicação de zoom sci, com aplicação de close na boca em determinadas expressões, aplicando-se a mudança na frase “…eu já te disse… “ encerrando na frase “…em possibilidades.” Retoma “…E são elas…” em ao Plano Americano abrindo para o Plano Inteiro e aplicando câmera subjetiva novamente “…mas a minha história..” encerrando nessa perspectiva em “…antes de mim”
Diálogo do Narrador
CENA 03
Locação: Externa – Dia – Mata fechada
Iluminação: natural
Plano: Plano Americano / Primeiro PlanoLuazi colhendo folhas com uma capulana que serve para levar as folhas PLANO AMERICANO inicia em “pra quem sabe olhar pra trás…” até “…nenhuma rua é sem saída”, a cena encerra-se ao som de palmas rituais ajoelhado sobre as folhas em Primeiro Plano com close nas mãos indo para câmera subjetiva em Plano Geral. Encerrando-se em “…antes de mim.”
Diálogo do Narrador
CENA 03
Locação: Externa – Dia – Árvore Grande
Iluminação: natural
Plano: Plano Geral Aberto / Plano AmericanoA cena inicia em PGA com Luazi sentado na esteira contando a história que começa com o diálogo “… com licença para revisitar meu baú… “ aplicando cut in, a cena prossegue com cortes entre PGA e PA até a frase “…majoritariamente negras”
Diálogo do Narrador
CENA 04
Locação: Externa – Dia – Escadaria da Plataforma da Rodoviária
Iluminação: iluminação artificial – mapa de luzes a ser desenvolvido.
Plano: PGA indo para PAmericano
A cena inicia em PGA com Luazi em pé de frente com a escadaria e com presença de transeuntes fechando para um Plano Americano na frase “… O perfil étnico racial …”  terminando no mesmo plano com a palavra “.. Zuelar.”
Diálogo do Narrador
CENA 05
Locação: Externa – Dia – Mata Fechada
Iluminação: iluminação natural
Plano: PGA indo para PAmericano
Luazi sentado na esteira começa pela frase “…eu contar contar os caminhos percorridos por esse tecido,,” Cutway abrindo a tela do báu para a imagem em PGA. Colagem de imagens pesquisadas na sequência narrativa do áudio até “ …capulana é documento vivo dos povos em diáspora.”
Diálogo do apresentador + colagens de imagens e vídeos pesquisados.
CENA 06
Locação: Externa – Dia – Mata Fechada
Iluminação: iluminação natural
Plano: Plano Próximo PGA indo para PAmericano
Inicia na mesma árvore na volta das colagens de imagens volta no plano próximo fazem cut in da face para o Plano Geral Aberto, começando a frase no fade out das imagens de colagem, parte do texto “… mas eu quero te dizer que são mulheres que transmitem esse legado…” até o término “…identitário e imagético”
Diálogo do Narrador
CENA 07
Locação: Externa – Dia – entrando em um terreiro de candomblé
Iluminação: iluminação natural
Plano: PGA com aplicação de câmera subjetiva
Luazi chegando no terreiro vestido com roupas de chita colorida e pessoas transitando também no terreiro com roupas com vestimentas com o tecido chita em foco. Começando em “… mas essa preciosa arte não pode aportar em solos pindorâmicos…” Plano Geral aberto com aplicação de câmera subjetiva, termina essa cena na frase “…vestir-se de identidade ancestral”.
Diálogo do Narrador
CENA 08
Locação: Externa – Dia – Embaixada de Moçambique
Iluminação: iluminação natural
Plano: PGA com aplicação de câmera subjetiva e Plano-sequência
Iniciar a cena pegando imagem da sacada da Embaixada em zoom out para Plano Geral Aberto, aplicando câmera subjetiva com Luazi iniciando o histórico da chegada das capulanas no Brasil “As capulanas africanas chegaram ao Brasil…” luazi vai caminhando pela embaixada em Plano-sequência o texto vai até “… as capulanas contam histórias”
Diálogo do Narrador
CENA 09
Locação: Interna / Externa – Dia – Hélio Prates Feira Central de Ceilândia
Iluminação: Luz natural / luz artificial (planejar mapa de luzes)
Plano: GPG – PGA com aplicação de câmera subjetiva e Plano-sequência
Inicia-se a cena em GPG pegando a Caixa D‘água em Panorâmica e fechando em PGA com aplicação de câmera subjetiva,  gravando movimento de pessoas em mesa de Dama e Dominó na Avenida perto da feira começando no texto “…percebem que a história se atualiza em tempos, formas…” concluindo com plano-sequência se distanciando da mesa e passando ao interior da feira entre os boxes onde a câmera em plano-sequência se em um corredor de encruzilhada na feira.
Diálogo do Narrador

FICHA TÉCNICA

Luazi Luango: Direção Geral e Roteiro

Carol Rocha Coelho: Produção Cultural e Roteiro

Bernardo Antônio: Direção Executiva e de Audiovisual 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

https://www.conexaolusofona.org/capulana-um-tecido-carregado-de-historia/#:~:text=De%20princ%C3%ADpio%2C%20a%20capulana%20surge,ostenta%C3%A7%C3%A3o%20e%20representa%C3%A7%C3%A3o%20da%20tradi%C3%A7%C3%A3o.
https://tede.pucsp.br/bitstream/handle/23230/2/Rosyane%20Maria%20da%20Silva.pdf

ASSUNÇÃO, H.S. & AIUBÁ, A. A. Capulanas e Macuti – Camadas de Tecido, Folhas e História. Revista Cadernos de Campo, Ed. Araraquara. nº23. p. 101-124. 2017.

SILVA, R. M. Turbantes e Tecidos Conectando Mulheres Negras. Brasil, Africa do Sul e Moçambique. Pontifícia Universidade de São Paulo. São Paulo, 2020.


SOBRE O PRODUTO:

A obra objetiva, a partir de saberes e fazeres acumulados por Luazi Luango, circunscrever mudanças no sentido de projetar uma #BSB2060 pluricultural e multiétnica. Tem como intenção contribuir para implementações de políticas públicas que incluam, potencializem e emancipem essas culturas civilizatórias majoritariamente excluídas, com o olhar voltado para as comunidades tradicionais de terreiro e o legado cultural preservado por esse povos em diáspora. 

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