Maria Léo Araruna – Gazeta Platô Leste



SOBRE O PRODUTO:

A trajetória de Maria Léo Araruna enquanto artista travesti a levou a buscar ficções políticas ou mitologias que pudessem, ao mesmo tempo, encontrar novas formas de sociedade e desvendar as ilusões que vivemos no mundo que temos para agora. O produto, portanto, vem ancorado nessa vontade de criar um mundo próximo ao nosso, mas que, por meio da estética e da história contada, seja capaz de abrir caminhos imaginativos e especulativos. Ela construiu uma “Máquina do Tempo” e a integrou em uma narrativa maior por meio de um artigo jornalístico fictício. Seu maior desejo é mostrar como as travestis sempre estiveram presentes na história dessa cidade, compondo seu passado e formulando seu futuro; tendo um papel de destaque dentro dessa trama. Sua personagem está sempre atuando em prol de sua comunidade e de um desejo coletivo maior: assegurar um futuro mais digno para os seus. Além disso, a história proposta perpassa o Direito à Cidade, no momento em que reflete sobre outras possibilidades de se experienciar a urbe a partir dos desejos de corpos rejeitados historicamente. É, portanto, com a tomada de um espaço cultural (Teatro Nacional) que se começam a especular a possibilidade de comunidades “clandestinas” independentes, constituindo assim outras malhas urbanas. Tudo isso é feito com o cuidado de resguardar a importância de figuras essenciais para o passado de construção dessa cidade, pois a relação entre uma travesti futurista e Oscar Niemeyer gera uma conexão que foge aos estereótipos violentos de marginalização das identidades trans. Ao mesmo tempo, demonstra a importância de se olhar para os cantos esquecidos da história, para as narrativas que não se costumam ouvir, pois é lá que moram a potência de um novo olhar. É com esses corpos esquecidos que podemos enxergar nossa jornada por novas sensações e novas formas de se fazer política. E a travesti é uma figura que simboliza o entrelaçamento passado-futuro, pois é nela que mora o gerúndio, é ali que “se faz a si mesma”, que se sente o tempo marcando, aos poucos, o corpo. Que no futuro encontremos uma sociedade que possa se gerir por meio da percepção, da experiência, da invenção e da criatividade; da calma com o tempo.

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