Naty Pires – Memórias de uma anciã

Num futuro tão distante

Já vi a vida passar pela janela

Agora, uma anciã observando

O fim de outra favela

E o menino que vi crescer lá

Não teve nada atrapalhado por sua cor

Ele tem igualdade de oportunidade

Para ser desde engenheiro a doutor

A necessidade de cotas está num passado distante

Feminicídio, um termo quase surreal

LGBT+fobia é algo tão ultrapassado

Que duvidam que um dia foi real

E veja bem, ouça a história que tenho para contar

Há exatos 40 anos

Tínhamos apenas máscara e medo

Para nos acompanhar

Foram tempos difíceis aqueles

Oh sim, eu lembro muito bem

Após a Grande Guerra invisível

Ainda tiveram guerras muito além

E levou muito tempo para o mundo se reerguer

Eu vi de Brasília, vi da capital

O estrago deixado

A falta um item tão especial

A compaixão. Era o que faltava

E era tão intenso

Tão alarmante

Que o recomeço era quase

A única saída restante

E foram retirados os mantos

Da intolerância a qualquer religião

Do medo iminente

À represália pela própria orientação

E em meus dias finais de vida

Digo a você no passado

A empatia foi o que salvou nossas vidas

Mesmo que tenha sido algo difícil de ser alcançado

Talvez até tenhamos carros voadores

E máquinas inimagináveis

Mas são as pequenas outras coisas

Que tornam todas mais agradáveis


SOBRE O PRODUTO: 

A obra é uma visão de futuro. De como eu espero que ele seja. Não penso sobre carros voadores, hologramas e extrema tecnologia. Desejo que seja um mundo de igualdade. Onde mulheres possam sair na rua sem medo, membres da comunidade LGBTQ+ sejam respeitades como pessoas incríveis, que o racismo e a intolerância religiosa estejam só no passado. Minha proposta é sobre compaixão, empatia, respeito a quem quer que seja.

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