Prethaís – Bras(Ilha)

Lá, nas ruas cinzentas

E prédios lotados

Tem dia que parece réplica de

São Paulo

Oque me salva é

Esse nordeste nos favelados

E faz a ilha nos meus sonhos

Esses baús lotados

Aqui, eu sonhei

que nessa geografia,

o melhor encaixe

sou eu e você

Diriam que é poesia

é utopia…

se as ruas de Brasília

Tivessem a cara

de contém dendê.

Ainda aqui na quebrada

Aqui e acolá

as famosas tesourinhas

Fazem planos do futuro,

Política & revolução

A Cultura faz casas Dandaras,

Afrolatinas e Akotirenes

Dançando corpo e canção

E lá, o baú lotado

de gente minha

Que canta, trampa,

Dança e ensina

Faz, ovelhas de Matilha

Preto Cosmo diria,

Aquela pele,

era minha.

Aqui o Rap,

Faz a cena que move a Ceilândia

Lá a fome mata em todo canto,

Botando em contrastes

As fotografias

Da população da rodoviária do plano

Enquanto o presidente

Governa em poucos KM

De todo canto do quadrado,

As mina se juntam e diz:

Brasília somos nós!

Ellen Oléria, roda no mundo e diz

Que o afrofuturismo na rua

é a nova voz

Lá teve a Marcha das mulheres negras

Que não ofuscam o brilho

De Sol Nascentes

Realezzas

Lá, um conhecimento epistemicida

Aqui Ubuntu todo dia

Lá moram as Políticas

Aqui através da arte

Mudamos vida

Pra que bem longe

Faça barulho!

Lá só é Brasília

Porque aqui:

Sou porque somos

O futuro.


SOBRE O PRODUTO:

A proposta se materializa através de uma uma poesia autoral da artista Prethaís. “Bras(Ilha)” traz, em sua narrativa, personalidades, territórios e iniciativas plurais que compõem a cena cultural do Distrito Federal. A poesia correlata um misto de metáforas, vivências do cotidiano da artista periférica e de seu povo (povo esse multiplural). São as mulheres negras que lutam diariamente para sobreviver e ter o que comer e alimentar seus filhos, são os artistas independentes que abrilhantam o dia-a-dia das periferias e trazem esperanças de um futuro melhor. É a comunidade LGBTQIAP+ que luta pelo reconhecimento de ser quem é, são os filhos dos nordestinos que fizeram Brasília acontecer. O poema “Bras(Ilha)” fomenta sonhos, traz a possibilidade de vivermos em um território plural, onde a equidade se faz morada. Uma possibilidade próxima para que as comunidades que habitam nessa Brasília vivam em perfeita harmonia, respeitando todas as classes, raças, cores, gêneros e, principalmente, um lugar onde a segregação não tem vez. O futuro está bem ali, é algo possível de se ver. A cultura periférica resiste com a esperança de uma cidade sem desigualdades sociais – expectativas de mudanças que fortaleçam a economia criativa, estimulem cada vez mais a descentralização do protagonismo da cadeia produtiva do Distrito Federal.

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